Por Eduardo Moraes

A Organização das Nações Unidas Para a Agricultura e Alimentação – FAO divulgou novo estudo esta semana, dando conta que em função da crise econômica mundial este ano, o mundo ultrapassará em mais de 1 bilhão de pessoas famintas, principalmente nos países em desenvolvimento, sobretudo as populações urbanas residentes na África, América Latina e Caribe. A crise da fome põe em sério risco a paz e a segurança – de acordo com afirmação do diretor geral da organização, Jacques Diouf.

Uma notícia estarrecedora como esta, deveria mobilizar o mundo inteiro em busca de erradicar essa situação. Com todo avanço tecnológico na produção de alimentos e quilômetros de terras agricultáveis e suficientes para alimentar a população inteira, não se justifica, hoje, continuarmos sendo bombardeados por números escandalosos como esses de que uma sexta parte da população mundial padece da falta do consumo mínimo de alimentos, cerca de 1.800 calorias/dia para que um ser humano viva com saúde. Não podemos ficar inertes diante destas estatísticas: 11 mil crianças morrem de fome a cada dia; um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresenta atraso no crescimento físico e intelectual; 1,3 bilhão de pessoas no mundo não dispõe de água potável; 40% das mulheres dos países em desenvolvimento são anêmicas e encontram-se abaixo do peso; uma pessoa a cada sete padece de fome no mundo.

Não são dados para ficarmos apenas sensibilizados, mas acima de tudo precisamos questionar: Quais são os reais interesses que estão por detrás desses números? A serviço de quem verdadeiramente estão essas organizações? Dos famintos, dos grandes capitalistas especuladores e concentradores de renda ou dos monopólios das indústrias de alimentos? Se tivessem realmente voltadas para por fim a esse flagelo, tomariam medidas mais eficazes nesse sentido. Não é admissível o mundo ficar apenas contemplando, ano após ano, a precarização dessa situação.

Em 1974, durante a Conferência Mundial sobre Alimentação, as Nações Unidas estabeleceram que “todo homem, mulher, criança, tem o direito inalienável de ser livre da fome e da desnutrição…”. Portanto, governos, a comunidade internacional deveria ter como maior objetivo a segurança alimentar, isto é, “o acesso, sempre, por parte de todos, a alimento suficiente para uma vida sadia, digna e ativa”. É preciso por fim a essa situação, pois uma pessoa faminta não é uma pessoa livre.